The Crown
novembro 6, 2016 392 Visualizações

The Crown

Diante dos desafios cada vez maiores de manter conteúdo em seu serviço de streaming, a Netflix abraçou suas produções originais. De House of Cards à Stranger Things, a empresa mostrou sua capacidade de fazer séries de qualidade, sem falar em filmes como Beast of No Nation. Não satisfeita, a Netflix resolveu aumentar as apostas, financiando uma nova produção com números em volta de 100 milhões de dólares. É uma aposta pelo trono. E nada melhor para conquista-lo do que a história da mais famosa monarca de nosso tempo.

The Crown, a nova série da Netflix, conta a história dos primeiros anos do reinado de Sua Majestade, a Rainha Elizabeth II do Reino Unido e dos outros 15 reinos que fazem parte dos Reinos da Commonwealth, entre eles, Austrália, Canadá e Nova Zelândia.

A série, que começa com o casamento da ainda princesa Elizabeth com Philip Mountbatten, futuramente conhecido como Duque de Edimburgo, aborda com louvor todas as grandes questões em volta da monarquia moderna e principalmente, a fina e delicada linha entre a Elizabeth, amante de corridas de cavalo e cachorras, filha mais velha de um casal amado, apaixonada por seu marido e seus filhos e Elizabeth II Regina Gloriana, soberana da terceira nação mais poderosa do mundo, ainda senhora de um Império, líder da Igreja da Inglaterra e defensora da fé.

Dever ou Amor.

Ao navegar pelos anos iniciais de seu reinado, a série sucede por uma combinações de fatores que raramente são vistas na tv. Um excelente roteiro e um cast espetacular transformam The Crown numa janela para um dos momentos de maior transformação da Inglaterra, como nação e sociedade. E nos mostram, como poucas coisas conseguem transmitir, os conflitos e deveres da Coroa Britânica nessa era de mudanças e os desafios pessoais da monarca nessa época.

Se a primeira metade da temporada é principalmente focada no estabelecimento de Elizabeth e daqueles ao seu redor como figuras simpáticas, o segundo habilmente apresenta-los com dilemas morais que eles nem sempre podem lidar da maneira que querem.

No caso de Elizabeth, que principalmente nela se adaptar ao peso da coroa em sua cabeça. Embora o primeiro episódio estabeleça que haviam duas Elizabeths, como disse acima, torna-se cada vez mais claro que ela não pode continuar a ser ambas. Ela tem que escolher – e, nas próprias palavras do show, “A coroa deve sempre vencer”.

Clair Fox como Elizabeth II e Matt Smith como Principe Philip

Clair Fox como Elizabeth II e Matt Smith como Principe Philip

Claire Fox é brilhante como Elizabeth. Suas reações as pessoas ao seu redor, que vão de Sir Winston Churchill (que tem um importante papel durante toda temporada) até o mais simples funcionário no Palácio são memoráveis e ela captura a essência da Rainha que vemos em público, e indo mais além, torna crível aquela que não vemos – e só podemos conjecturar como é.

John Lithgow como Sir Winston Churchill

John Lithgow como Sir Winston Churchill

Rivalizando pela coroa de melhor atuação, John Lithgow trás em seu Winston Churchill uma das mais sóbrias caracterizações que já vimos . Na época que a série se passa, não estamos acompanhando o Churchill que de forma incansável, liderou sua nação e o império britânico na desesperada luta contra a Alemanha Nazista. Passaram-se anos e Churchill se aproxima dos 80 anos. Vemos, com a atuação brilhante de Lithgow, o peso e as limitações da idade no homem que pode ser melhor descrito como “larger than life”.

Do final da década de 40 até 1955, a série apenas toca no que será um longo reinado, mas o faz com louvor. Os dilemas morais de uma mulher que constantemente deve escolher entre família e país. O seu papel, como instituição, num mundo que constantemente vê o que ela representa como algo ultrapassado e anacrônico. E como aos poucos ela se molda para vencer isso tudo e, no momento em que o país dela perdia um Império e não achava um papel, ela foi uma âncora para seu povo, sendo não apenas uma mulher, mas a alma imortal de uma nação.

Nada porém, passa melhor a idéia da série e de sua protagonista que o próprio Sir Winston Churchill, mestre da palavra.

“Neste momento, no entanto, preciso deixar os tesouros do passado e me voltar para o futuro. Os reinados de nossas rainhas têm sido famosos. Alguns dos mais gloriosos períodos da nossa história se desvelaram sob os seus cetros. Agora que temos a segunda Rainha Elizabeth, ascendendo ao trono aos 26 anos, nosso pensamento é levado quase 400 anos atrás, à magnífica figura que reinou e, em muitas maneiras, incorporou e inspirou grandes e o gênio da era elisabetana. […]

Eu que passei a juventude nas nobres, indiscutíveis e tranquilas glórias da era vitoriana posso até sentir um arrepio, ao invocar mais uma vez a oração e o hino “God Save the Queen!

Sobre o Autor:

Matheus Dias
Matheus Dias 20 resenhas

É estudante de Relações Internacionais e PhD em dar palpite sobre a terra da rainha. Se Harry Potter fez dele um leitor, Star Wars o batizou como nerd. Estrangeiro às praias do Rio de Janeiro, pode ser constantemente encontrado no Pub Irlandês mais proximo de casa.

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