Harry Potter e a Criança Amaldiçoada
outubro 24, 2016 438 Visualizações

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada é a esperada continuação da saga do menino bruxo, que chega para nós em formato de peça de teatro. A grande expectativa por uma continuação, aliado a popularidade da série levaram os produtores a publicar o script da peça no mundo todo, uma vez que a peça, por sua natureza, seria extremamente restrita a aqueles que conseguissem estar em Londres para ve-la. Então, no dia 31 de Julho, aniversário tanto de J.K. Rowling e de Harry, o livro/scrip foi lançado em inglês no mundo inteiro.

Varinhas para o alto em luto pelo potencial perdido.

Varinhas para o alto em luto pelo potencial perdido.

Antes de mais nada, esse review será coberto de spoilers. Não há como fazer essa crítica sem abordar pontos essenciais da trama então siga por sua conta e risco! Outro ponto importante, essa é uma resenha do livro/script. Eu não vi a peça e não posso comentar sobre ela e sobre a atuação dos novos atores.

Enquanto possa parecer estranho, o formato de script é o que menos pode perturbar aqueles que se aventurarem a ler A Criança Amaldiçoada. Seu tamanho, pequeno para os padrões da série, permitem uma leitura rápida e eu li ao longo de uma noite. Uma noite frustrante.

Frustrante. Não existe palavra melhor para descrever o novo capítulo. Pois conforme você lê, passa cada página a espera da magia que nos encantou ao longo de sete livros e embora o livro lide com muita mágica, de fato, não o faz de forma contagiante, nem congruente com o que foi apresentado. Ao contrário, nos entrega apenas contradições e uma nova caracterização, fatal, de personagens queridos.

Primeiro, o livro não é sobre Harry Potter. Tampouco sobre a tal criança amaldiçoada. É sobre Scorpio Malfoy, filho de Draco, e sua jornada para concertar os erros que ele, e seu melhor amigo, Albus Severus Potter, cometem ao mexer com uma dos elementos mais complicados da magia (e de qualquer obra de ficção). O tempo.

O ritmo é desgastante e o enredo torce muito dramática e implausível. Francamente, mesmo que não estejamos no palco, assistindo a peça, as bombas de bosta que o roteiro envia nos atingem em qualquer lugar. Sim, temos que pensar que isso foi pensado como uma peça. Mas em busca de cenas apropriadas para uma apresentação de teatro, o roteiro e o respeito aos livros anteriores foi rasgado.

Sério? Nós devemos acreditar que o compassivo Harry Potter, que sempre ansiava pelo seu próprio pai facilmente diria ao seu filho Albus “há tempos eu queria que você não fosse meu filho”? E isso ainda é crível perto da revelação que Voldemort, o frio, sem emoção, nem mesmo totalmente humano fez sexo com Beatrix Lestrange antes da Batalha de Hogwarts e ela teve um filho dele.

Draco, Ron, Hermione, Harry e Gina: personagens novos e antigos, tão irreconhecíveis daqueles que viemos a conhecer e amar que chega a ser chocante.

Draco, Ron, Hermione, Harry e Gina: personagens novos e antigos, tão irreconhecíveis daqueles que viemos a conhecer e amar que chega a ser chocante.

E essas não foram as únicas mudanças drásticas. Os personagens de Harry Potter perderam sua identidade na tentativa de adequá-las a um mundo mais real e pós-Voldemort. A Criança Amaldiçoada simplesmente não consegue trazer a magia de volta.

É um desastre. Você pode ler, se quiser. Mas vá preparado para uma decepção enorme em uma trama que tem mais buracos do que o cabelo de Severus Snape tem de óleo. A Criança Amaldiçoada consegue ser pior para a saga Harry Potter do que A Ameaça Fantasma é para Star Wars.

E olha que eu finjo que o Episódio I não existe.

Sobre o Autor:

Matheus Dias
Matheus Dias 20 resenhas

É estudante de Relações Internacionais e PhD em dar palpite sobre a terra da rainha. Se Harry Potter fez dele um leitor, Star Wars o batizou como nerd. Estrangeiro às praias do Rio de Janeiro, pode ser constantemente encontrado no Pub Irlandês mais proximo de casa.

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