Filhos do Éden: Paraíso Perdido
outubro 22, 2016 701 Visualizações

Filhos do Éden: Paraíso Perdido

“Antes da grande batalha do Armageddon, antes que o sétimo dia encontre seu fim, os antigos aliados, Miguel e Gabriel, atuais adversários, deparam-se com uma nova e perigosa ameaça – uma que já consideravam vencida: a eterna luta entre sagrado e o profano, entre os arcanjos e sentinelas, que novamente, e pela última vez, se baterão pelo domínio da terra, agora e para sempre.”

Paraíso Perdido finalmente fecha o ciclo que começou a quase 10 anos atrás, quando Eduardo Spohr escreveu A Batalha do Apocalipse. E aqui, no terceiro livro da série Filhos do Éden, finalmente vemos o encontro de não apenas duas narrativas, mas das habilidades de Eduardo como escritor e como ele conseguiu, de forma magistral, unir as formas de escrita que fizeram seus livros únicos.

De todos os livros da trilogia, Paraíso Perdido é o que nos leva aos mais fantásticos lugares, como o Reino de Asgard

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Em Paraíso Perdido, temos a conversão da mesma história, dividida por anos incontáveis e como elas se relacionam, abrindo caminho para o Apocalipse. Em tempos remotos a memória, temos Ablon, fiel aos arcanjos, caçando Metatron, o Primeiro Anjo e líder dos Sentinelas, celestiais responsáveis por cuidar e defender a raça humana. Nos tempos presentes, Kaira e seu coro, em busca do mesmo Metatron, só que dessa vez, para elimina-lo.

Das duas, é inegável que a parte da história pertinente a Kaira e Denyel é melhor desenvolvida. Afinal, a trilogia é sobre eles. O desenvolvimento e peso emocional do livro estão aqui. Isso não faz a narrativa de Ablon menos empolgante ou relevante. O objetivo dela apenas não está, parcialmente, nesse livro. Ela é um background para os motivos de Ablon ter se tornado o líder dos renegados que viemos a conhecer em A Batalha do Apocalipse.

O laço que une ambas, Metatron, talvez seja o personagem mais controverso que Eduardo Spohr já criou. O primeiro anjo criado por Deus e enviado a terra para proteger e acompanhar a raça humana junto dos sentinelas é dotado daquilo que nem mesmo os poderosos arcanjos possuem: uma alma. Seu comprometimento com a missão dada por seu Pai entrou em choque com os desígnios dos senhores do Céu Celestial e junto do resto dos sentinelas, foi caçado pelas hostes do Arcanjo Miguel, o Príncipe dos Anjos.

A complexidade de Metatron só pode ser explicada ao analisar os livros de Spohr como um todo. Ele possui as melhores e piores qualidades de anjos e humanos. Seu comprometimento com a palavra de Deus só pode ser rivalizado pela loucura em que se afundou, acossado pela perseguição e exílio. Ele é Ablon as avessas. Enquanto o anjo renegado resgatou os verdadeiros desígnios de Deus para os homens, Metatron os perdeu. No fim, tornou-se tão tirânico quanto os arcanjos que jurou combater.

Falando em arcanjos, como deixar de elogiar a construção dos cinco? A presença dos cinco na história é marcante e nunca demais. Todo momento queremos uma aparição desses gigantes, dos primogênitos. A tirania de Miguel, a sabedoria de Rafael, o caráter de Gabriel e a tragédia de Uziel marcam a saga de forma exemplar e a ação desses gigantes, definitiva, ainda que pelos cantos.

E é claro, Lúcifer, a Estrela da Manhã. Paraíso Perdido novamente me deixou com a sensação de que por mais sábios que sejam Gabriel e Rafael, por mais imponentes que sejam Miguel e Uziel, é o Arcanjo Sombrio, o Portador da Luz, a verdadeira face de poder dos cinco. O condutor dos eventos que levarão ao Apocalipse.

Mas é claro, não é apenas dos grandes que vive Paraíso Perdido. Como dito acima, o desenvolvimento da história e sua conclusão emocional estão com Kaira, Denyel e Urakin, na conclusão de suas jornadas que começou lá em 2011, com a publicação de Herdeiros de Atlântida. Eduardo aproveita a natureza de seu universo para nos levar para os universos fantásticos das mitologias gregas e nórdicas, com resultados um tanto controversos. Digo isso porque embora a apresentação seja épica e de acordo com as regras estabelecidas no universo, me pareceu um pouco forçado a constante intervenção desses seres etéreos nas questões celestiais. Embora cruciais para a narrativa, não consegui abandonar a sensação de que são apenas peões no jogo dos arcanjos.

Ao trio de anjos, é dado um desfecho sublime. As revelações sobre Kaira e o destino de Denyel se encaixam perfeitamente na trajetória de suas jornadas, embora o final, e mais especificamente o que diz respeito a Urakin, não tenha me agradado tanto pela já citada interferência das mitologias nórdicas e gregas.

Paraíso Perdido consegue juntar os elementos de escrita épicos de A Batalha do Apocalipse e os mais “mundanos” de seus antecessores em Filhos do Éden. É um triunfo para Eduardo e para todos aqueles que como eu, acompanharam essa jornada desde o nerdcast 80, quando o público do Jovem Nerd foi apresentado ao universo de Spohr pela primeira vez. Terminei o livro grato e satisfeito, com muitas expetativas para o futuro do Eduardo como escritor e quantas outras histórias podem ser contadas nesse fantástico universo.

O fim do sétimo dia se aproxima.

Sobre o Autor:

Matheus Dias
Matheus Dias 20 resenhas

É estudante de Relações Internacionais e PhD em dar palpite sobre a terra da rainha. Se Harry Potter fez dele um leitor, Star Wars o batizou como nerd. Estrangeiro às praias do Rio de Janeiro, pode ser constantemente encontrado no Pub Irlandês mais proximo de casa.

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