Star Wars – Marcas da Guerra
julho 7, 2016 295 Visualizações

Star Wars – Marcas da Guerra

Depois que a Disney anunciou o fim do antigo universo expandido e que O Despertar da Força ocorre trinta anos após o episódio VI, surgiu muita especulação sobre o que aconteceu nesse meio tempo. Como o Império se tornou a Primeira Ordem? Como a Aliança Rebelde passou para Nova República e depois para a Resistência?

Publicado no Brasil pela Aleph

Publicado no Brasil pela Aleph

Marcas da Guerra é a obra principal até agora no projeto Journey to Force Awakens. Embora Estrelas Perdidas nos dê lampejos do que acontece pós episódio VI, o grosso de sua história está devidamente ancorado na trilogia clássica.

Já o livro de Chuck Wendig é o primeiro de uma trilogia exclusivamente dedicada ao período que sucedeu a destruição da segunda Estrela da Morte e as mortes do Imperador e Darth Vader.

Primeiro, sobre o livro: é bom. Não é, nem de longe, o melhor das novas produções da Disney. Estrelas Perdidas e Lords of the Sith serão difíceis de serem vencidos. Porem, ele cumpre seu papel, ainda que de forma rasa. Digo isso porque a propaganda em volta dele apontava para um clássico no nível da antiga trilogia de Thrawn. O que é ambicioso demais. Nem a escrita da obra, tampouco a história conseguem alcançar tal feito.

Marcas da Guerra conta a história de um grupo improvável de pessoas que são forçadas a trabalhar juntas em nome de um objetivo comum: lutar contra o Império. Elas se vêem em Akiva, um planeta esquecido na Orla Exterior que se tornou palco de uma reunião de alto escalão de lideres imperiais, com o objetivo de entrar em acordo sobre o que sobrou do mais poderoso Império que a Galáxia já viu.

Uma caçadora de recompensas, um oficial do império desertor, uma pilota rebelde e seu filho com seu dróide B1 então se vêem envolvidos entre as forças imperiais ocupando o planeta e a Nova República, tentando descobrir o que está acontecendo nele.

É importante ressaltar que, nesse momento, o novo universo expandido não parece ser tão diferente do velho. A situação da galáxia parece a mesma: A recém criada Nova República tentando se firmar, o Império dividido em centenas de facções, lutando tanto contra o que eles ainda consideram ser a Aliança Rebelde quanto entre eles mesmos.

O livro também é dividido por vários interlúdios que tem a intenção do que está acontecendo no resto da galáxia. Em sua maior parte, são apenas pequenas histórias sobre diversos seres se acostumando com o novo mundo pós Endor, mas existem alguns muito interessantes, que nos dão dicas sobre o que está por vir. Nesses, personagens e planetas conhecidos marcam presença.

Entretanto, mesmo com esses interlúdios, mesmo com as semelhanças com o antigo universo expandido, o livro tem o que eu pessoalmente estou entendendo como “problema de credibilidade”. A Disney pode ter apagado o universo expandido, mas existem realidades desse universo que estão muito acirradas no coletivo dos fãs. Por exemplo, é difícil de acreditar que três, TRÊS Star Destroyers do Império seriam derrotados como foram por uma pequena frota rebelde. É incômodo para velhos fãs verem um novo vocabulário quando já existe um universo pré estabelecido de palavras, medidas de comprimento à bebidas numa cantina.

Então o autor não apenas parece estar fora de contato com o que veio antes dele, mas sua escrita não é das melhores. O livro não te prende. Tem quase quatrocentas páginas e demorei duas semanas para terminar de ler enquanto Estrelas Perdidas, com mais de quinhentas, foi lido em dois dias.

Marcas da Guerra é um bom livro, que nos entrega o suficiente em termos de conteúdo para começar a preencher o espaço entre o Retorno de Jedi e o Despertar da Força. Porém, faltou um respeito, se não conhecimento maior por parte do autor sobre o conteúdo já existente. A escrita do livro não é das melhores, e julgada de forma ainda mais rígida quando a obra foi divulgada como algo no nível de uma das sagas mais clássicas de Star Wars.

Ele termina no mesmo lugar que Estrelas Perdidas, nos apresentando à um personagem que, se for quem eu estou pensando, deixará os livros II e III muito mais interessantes, se forem desenvolvidos da maneira correta.

Logo, o livro não é essencial, e seus problemas prejudicam mas não estragam a obra como um todo. E é uma leitura recomendada para quem quiser entender melhor os trinta anos que levarão a Galáxia até O Despertar da Força.

Sobre o Autor:

Matheus Dias
Matheus Dias 20 resenhas

É estudante de Relações Internacionais e PhD em dar palpite sobre a terra da rainha. Se Harry Potter fez dele um leitor, Star Wars o batizou como nerd. Estrangeiro às praias do Rio de Janeiro, pode ser constantemente encontrado no Pub Irlandês mais proximo de casa.

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