O Babadook
agosto 20, 2015 388 Visualizações

O Babadook

If it is in a word or in a look, you can’t get rid of the Babadook.

O gênero de terror talvez  seja o mais saturado do cinema. A essa altura do campeonato, poucos são os que trazem uma trama imersiva e nova. Poucos conseguem trazer o inesperado. Aqueles momentos em que você é surpreendido. As técnicas de sustos são tão previsíveis que você sabe o que esperar e quando esperar, o que elimina a expectativa e transforma a experiência de ver o filme em algo desencorajante, uma vez que o que nos resta é a história ridícula que é usada como desculpa para te assustar. Entretanto…

Entretanto, de vez em quando somos surpreendidos por obras realmente boas, que não só dão fôlego ao gênero como nos fazem cagar nas calças, se medrosos, ou bater palmas pela satisfação de afinal, ver um bom filme. The Conjuring, lançado no Brasil como “Invocação do Mal”, é um desses. O Babadook, felizmente, é outro.

O filme não é o que você espera após ver o trailer. Não existem cenas onde algo pula na tela tentando te assustar ou há um uso abusivo daquele horror gore que filmes como Evil Dead são feitos. A ameaça aqui, aos protagonistas, é muito mais sutil. Ela se esconde, persuade e quando finalmente se revela, se torna muito mais terrível.

DONT LET HIM IN

DONT LET HIM IN

Mas o que é o Babadook? Para responder isso, é necessário entender os personagens. O marido de Amélia (Essie Davis) morreu enquanto dirigia para o hospital ela para dar à luz a Sam (Noah Wiseman), seu único filho. Desde aquele dia, Amelia criou Sam sozinha e nunca comemorou seu aniversário. Aqui, o filme explora com sucesso o relacionamento fraturado entre mãe e filho. Até sete anos mais tarde, é dolorosamente claro que Amelia não superou seguiu em frente com sua vida. Roupas e pertences de seu marido preservadas no porão; ela repele os avanços de potenciais pretendentes; sua carreira estagnou. Mas o que é mais inquietante é o seu relacionamento com Sam. Enquanto ela o leva para a escola, ela lê histórias para dormir, e cozinha jantares nutritivos, ela secretamente não suporta seu filho. Ela se afasta, quando ela deveria estar puxando-o para perto. Isso abre as portas para o Babadook.

O que eu gostei no filme é que praticamente toda cena é ambígua. Você não tem como saber se aquilo está de fato acontecendo ou se Amelia e Sam estão sofrendo dentro de suas mentes as trágicas consequências de um trauma que resultou na morte do pai da família, posterior ao inicio do filme. O Babadook constantemente faz você se perguntar o que está distorcendo o mundo. Todos as três possibilidades se intercalam uma sobre a outra nos 90 minutos, e persiste, mesmo para a cena final, que convida propositadamente uma interpretação sinistra se você ousar ir até la.

Com brilhantes atuações, O Babadook me surpreendeu pela profundidade de sua história e pela qualidade de sua cinematografia. O primeiro longa de Jennifer Kent, um sucesso em todos os sentidos.

Sobre o Autor:

Matheus Dias
Matheus Dias 20 resenhas

É estudante de Relações Internacionais e PhD em dar palpite sobre a terra da rainha. Se Harry Potter fez dele um leitor, Star Wars o batizou como nerd. Estrangeiro às praias do Rio de Janeiro, pode ser constantemente encontrado no Pub Irlandês mais proximo de casa.

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