12 Homens e uma sentença
julho 27, 2015 3675 Visualizações

12 Homens e uma sentença

“This man has been standing alone against us. It’s not easy to stand alone against the ridicule of others. So he gambled for support – and I gave it to him.”

twelve-angry-men12 homens e uma sentença é um empolgante e desafiador filme, que me pegou de surpresa, não só por sua qualidade, mas como as discussões de um filme de 1957 são tão atuais. Seus 96 minutos, passados numa mesma sala onde 12 jurados discutem o caso e o futuro de um adolescente acusado de matar o pai são uma maravilhosa exposição de como a sociedade é, até hoje, movida pelos seus preconceitos em relação a certas situações.

Doze jurados são desconfortavelmente reunidos para deliberar sobre os fatos ouvidos em um julgamento de um assassinato. Eles retiram-se para uma sala para fazer seu dever cívico de servir e entregar um veredicto justo para o réu, cuja condenação, na época, significava a pena de morte. Daí, o filme transforma-se numa poderosa denúncia da suposta infalibilidade, justiça e neutralidade do processo de júri e do sistema judiciário americano.

Doze homens irritados, desconfortáveis em estar nessa situação ao invés de cuidar de seus negócios pessoais, numa quente tarde de verão, devem deliberar até unanimemente, decidam se o réu é culpado ou inocente. O filme examina de forma provocante o preconceito, a indiferença, a raiva, personalidade, ignorância e medo desses homens, os jogando uns contra os outros, enquanto discutem sobre a vida de um rapaz que pode ou não pode ser culpado.

O filme é uma excelente obra que deveria ser vista hoje por entregar algo extremamente importante, o óbvio: Um menino pobre, que vive em uma favela, não é necessariamente culpado ou de má índole. Ao mesmo tempo que sua situação social e econômica não o absorve de qualquer crime. O importante aqui são os fatos que são apresentados, e a realidade máxima que no Ocidente e numa democracia, o ônus da prova está com quem acusa. Todos somos inocentes, até que prove-se o contrário.

"Em qualquer lugar que você o encontre, preconceito sempre obscurece a verdade"

“Em qualquer lugar que você o encontre, preconceito sempre obscurece a verdade”

Ao ler outras críticas do filme, eu encontrei constantemente uma classificação entre os grupos que se formam na discussão: A favor da condenação, conservadores. Contra ela, progressistas e liberais (no sentido americano da palavra). Eu sou contra essa rotulação, pois como dito acima, não se trata de uma suposta dicotomia entre direita e esquerda. Pró e contra pobres. É uma discussão que em sua raiz, diz respeito à nossos direitos fundamentais como cidadãos de democracias livres. O processo que ocorre no filme, de iniciais 11×1 a favor de uma posição, a unanimidade 0x12 de outra, não ocorre nesse âmbito. O filme, várias vezes, chama atenção ao essencial: como decisões jurídicas devem ser baseadas no que podemos trabalhar. Quais são os fatos, e o que eles nos dizem. São suficientes para condenar um jovem? Provam, de fato, que ele cometeu um crime? Se existe espaço para a dúvida, se em algum momento, não fica claro o que aconteceu, torna-se perigoso deixar esse vácuo com opiniões pré estabelecidas, de um lado ou de outro.

Todo homem tem o direito a um julgamento justo. Como o filme apresenta, deve-se ter mente aberta ao analisar casos como esse. Nem tudo é o que parece ser e estar ciente disso é o primeiro passo para uma melhor compreensão.


 

Sobre o Autor:

Matheus Dias
Matheus Dias 20 resenhas

É estudante de Relações Internacionais e PhD em dar palpite sobre a terra da rainha. Se Harry Potter fez dele um leitor, Star Wars o batizou como nerd. Estrangeiro às praias do Rio de Janeiro, pode ser constantemente encontrado no Pub Irlandês mais proximo de casa.

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