novembro 7, 2013 0 746 Visualizações

Yayoi Kusama – Obsessão Infinita

O Centro Cultural do Banco do Brasil trás para o Rio de Janeiro a exposição Obsessão Infinita, que traça a trajetória de Yayoi Kusama, uma japonesa considerada uma das maiores artistas pop de seu país. Essa é a primeira retrospectiva da obra de Kusama apresentada na América Latina e faz um levantamento em profundidade de sua obra através de mais de 100 peças criadas de 1950 a 2013, mostrando pinturas, obras em papel, esculturas, vídeo, slides e instalações.

Kusama nasceu na cidade de Matsumto em 1929, começou a pintar pontos (uma de suas maiores obsessões) com dez anos e já no final de 1950 criou a famosa série de pinturas chamada de Redes Infinitas, aonde desenha a repetição obsessiva de pequenos arcos aglomerados em padrões rítmicos maiores. Seu trabalho pode ser considerado uma mistura de modernismo, minimalismo e surrealismo.
Nos Estados Unidos trabalhou com grandes nomes como Andy Warhol, Joseph Cornell e Donald Judd. Lá também participou de campanhas contra a guerra do Vietnã, revolucionária, sempre foi simpatizante na luta dos homossexuais por seus direitos. 

Além das pinturas, Kusama criou sua primeira instalação ambiental anexa, chamada de Sala de Espelhos Infinitos, aonde o espectador é refletido por todos os lados dentro de uma sala aparentemente infindável com espelhos ao redor. Essa instalação me trouxe uma sensação de algo eterno, realmente infinito. Como se a sala não tivesse fim.

No final da década de 90, após quase 30 anos sem novas obras, Yayoi volta a trabalhar com instalações em escala. Estou Aqui, Mas Nada, é uma sala escura, composta de vários móveis e acessórios domésticos. Sofá, estante, televisão, mesa de jantar, copos, pratos etc. Porém o que parece um ambiente normal, se transforma em algo perturbador, já que ela é cheia de pontos fluorescentes e iluminados com uma lâmpada de luz negra. O resultado é um espaço escuro com vários pontos brilhantes, que podem ser interpretados como abreviações visuais de suas visões alucinógenas. E a sala, uma tentativa de reencenar a experiência de seus próprios episódios alucinatórios ou de recriar o ambiente doméstico de seus traumas.

A obsessão por pontos e bolas, ou como ela mesma chama, pontos do infinito, se trona visível em quase todas as suas obras. Na Sala de Espelhos Infinita – Cheio de Brilho e Vida (2011) a artista mostra ao expectador essa obsessão em uma sala coberta de espelhos e cheia de luzes em formato de bolas coloridas. A sala é lindíssima, e as luzes mudam de cor o tempo todo. A sensação é de quase estar dentro da cabeça de Kusama. Vale a pena gastar um tempo nessa sala.

Ao final da exposição ainda é possível se tornar um artista, já que o CCBB disponibilizou uma sala com objetos domésticos e muitos adesivos de bolas coloridas para que o público use sua criatividade e crie uma obra de arte em conjunto, colando os adesivos aonde bem entender. Tudo no melhor estilo Yayoi Kusama. Esse espaço é bem divertido e nos permite soltar a criatividade. 

Em 1973 Kusama voltou ao Japão e vive até hoje voluntariamente em uma instituição psiquiátrica localizada perto de seu ateliê, já que ela continua a criar. Dentre os prêmios que ganhou, destacam-se o Best Gallery Show in 1995/1996 e em 1996/1997 do International Association Art Critics, Asahi Prize em 2001 e o Nagano Governor Prize em 2003. Este último pelo encorajamento e contribuição a arte e cultura.

Se você se interessou fique atento as informações da exposição.
Data: 12 de Outubro a 20 de Janeiro de 2014.
Horário: De quarta a segunda das 9h as 21h.
Local: Centro Cultural do Banco do Brasil, que fica na Rua Primeiro de Março, 66, Centro. Rio de Janeiro.
Ingresso: Gratuito.
Para saber mais acesse o site do CCBB: http://goo.gl/Jmx4L1

Sobre o Autor:

Renata Araujo
Renata Araujo 298 resenhas

É jornalista por formação, nerd por paixão e cresceu rodeada de livros sendo até proibida de comprar mais por não ter aonde botar. Era figura conhecida na locadora mais próxima, aonde nem precisava se identificar, hoje em dia usa o quarto do namorado como depósito de livros. Adora livros de fantasia, sendo um PotterManiaca, mas não dispensa nenhum gênero. Para filmes prefere os clássicos dos anos 80 e compara qualquer filme com Dirty Dance - Ritmo Quente e O Guarda Costa.

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